Promessassom — Andrea Polli

Descrição da Obra Artwork Description

O trabalho que Polli desenvolveu na Cultivamos Cultura, e em residência no Buinho, explorou a relação da escultura e a definição de dados. Embora tenha vindo a definir “dados” como números computacionais derivados de gravações digitais de paisagens sonoras, parte da sua investigação relaciona-se com o processo de cerâmica artesanal, utilizando técnicas tradicionais. Ao refletir sobre este processo, ponderou sobre todos os “dados” da própria cerâmica: a composição química do barro, o local onde o barro é colhido, o tratamento e a transformação manual do barro, que capta os movimentos, a destreza e a textura das mãos, bem como os objectivos e a finalidade do oleiro, ou seja, a finalidade do vaso.

Para este projeto, Polli viveu numa zona rural, no Alentejo, e gravou o som dos sinos da aldeia, omnipresentes, assim como outras características da paisagem sonora. A partir destas gravações muito curtas criou espectrogramas, imagens bidimensionais que representam graficamente a amplitude dos sons com várias frequências. Os sinos criam espectrogramas bastante complexos, com vibrações discretas e sobretons específicos. Em contraste, os chamamentos dos pássaros e dos outros animais criam conjuntos de frequências que parecem viajar através de arcos suaves. Com a ajuda do modelador Nuno Sousa, a artista mapeou os espectrogramas e transformou-os em texturas adaptadas a formas geométricas simples, e imprimiu essas formas esculturais em 3D. São formas muito orgânicas e parecem biológicas, como imagens de ultra-sons de órgãos ou tumores. Polli criou formas em barro, utilizando barro local colhido à mão, que podem ser utilizadas para cozer pães que assumem a forma dos espectogramas.

Polli’s work for Cultivamos Cultura and in residence at Buinho explored sculpture in relation to the definition of data. While she had been defining data as computational numbers derived from digital soundscape recordings, some of her research has been related to the handmade process of creating pottery using traditional techniques. Reflecting on this process made her consider all the ‘data’ points within pottery: the chemical composition of the clay itself, the location where the clay is harvested, the processing and forming of the clay by hand, recording the movements, skill and structure of the hands, and the goals and purpose of the potter, i.e. what the vessel is used for.

For this project, Polli lived in the countryside in southern Portugal and recorded the sound of ubiquitous village bells along with other characteristic parts of the soundscape. She took these very short recordings and created spectrograms of them, two dimensional images that graph the amplitude of sounds at various frequencies. The bells create highly structured spectrograms, with discrete vibrations and specific overtones. In contrast, birds and other animal calls create bands of frequencies that seem to travel in smooth arcs. With the help of modeler Nuno Sousa, she mapped the spectrograms as textures onto simple geometric shapes and 3d printed the resulting sculptural forms. The forms are very organic, and appear biological, like ultrasound images of organs or tumors. Polli then created clay bread dishes from the forms using hand harvested local clay that could be used to bake loaves of bread that take on the form of the spectral shapes.


Visual Documentation


Detalhes da Obra Artwork Details

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ColeçãoCultivamos Cultura
CollectionCultivamos Cultura
Publicado em2024 Yearbook
Published in2024 Yearbook
Período de residência12 de dezembro de 2023 a 15 de janeiro de 2024
Residency periodDecember 12th 2023 to January 15th 2024

Materiais: Barro/argila local colhida à mão; formas esculturais impressas em 3D

Processo: Gravações digitais de paisagens sonoras (sinos da aldeia e outros sons) convertidas em espectrogramas bidimensionais; os espectrogramas foram mapeados como texturas sobre formas geométricas simples e depois impressos em 3D com a colaboração do modelador Nuno Sousa

Técnica: Modelagem digital/impressão 3D combinada com técnicas tradicionais de cerâmica artesanal; as formas em barro podem ser utilizadas para cozer pães que assumem a forma dos espectrogramas

Materials: Hand-harvested local clay; 3D-printed sculptural forms

Process: Digital soundscape recordings (village bells and other sounds) converted into two-dimensional spectrograms; the spectrograms were mapped as textures onto simple geometric shapes and then 3D printed, with the help of modeler Nuno Sousa

Technique: Digital modeling/3D printing combined with traditional handmade pottery techniques; the clay forms can be used to bake loaves of bread that take on the shape of the spectrograms

Histórico de Exposições Exhibition History


Entre Vagos, Galeria da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Lisboa, de 8 a 27 de fevereiro de 2024 Entre Vagos, Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa Gallery, Lisbon, from February 8th to 27th 2024

Re(volutions), Galeria Cultivamos Cultura, São Luís, de 9 de agosto a 11 de setembro de 2024 Re(volutions), Cultivamos Cultura Gallery, São Luís, from August 9th to September 11th 2024

(com) Passos, Biblioteca Municipal José Saramago, Odemira, de 12 de dezembro de 2024 a 11 de janeiro de 2025 (com) Passos, Biblioteca Municipal José Saramago, Odemira, from December 12th 2024 until January 11th 2025

Sobre a Artista About the Artist

Andrea Polli

Andrea
Polli

Based in New Mexico, EUA
Website da Artista Artist Website

Andrea Polli é uma artista ambiental que trabalha na intersecção entre arte, ciência e tecnologia. A sua investigação interdisciplinar tem sido apresentada sob a forma de obras de arte públicas, instalações multimédia, projectos comunitários, performances, programas de rádio, meios de comunicação móveis e geolocalizados, publicações e através da curadoria e organização de exposições e eventos públicos. A artista cria obras de arte para sensibilizar o público para questões ambientais. Muitas vezes, estas obras expressam dados científicos obtidos através das suas colaborações com cientistas e engenheiros e adquirem a forma de arte sonora, obras baseadas em veículos, obras de iluminação pública, experiências de media móveis e bioarte e design. Polli tem um mestrado em Time Arts pela School of the Art Institute of Chicago e um doutoramento pela Universidade de Plymouth, no Reino Unido.

Polli é professora na College of Fine Arts and School of Engineering at the University of New Mexico (UNM).

Andrea Polli is an environmental artist working at the intersection of art, science and technology. Her interdisciplinary research has been presented as public artworks, media installations, community projects, performances, broadcasts, mobile and geolocative media, publications, and through the curation and organization of public exhibitions and events. She creates artworks designed to raise awareness of environmental issues. Often these works express scientific data obtained through her collaborations with scientists and engineers and have taken the form of sound art, vehicle-based works, public light works, mobile media experiences, and bio-art and design. Polli holds an MFA in Time Arts from the School of the Art Institute of Chicago and a PhD in practice-led research from the University of Plymouth in the UK.

Polli is a Professor in the College of Fine Arts and School of Engineering at the University of New Mexico (UNM).

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