Shade Shadows — António Caramelo

Descrição da Obra Artwork Description

Em The Myth of the Machine, Lewis Mumford demonstrou como os sistemas de poder centralizados utilizaram os meios técnicos para a arregimentação burocrática e militar das populações humanas, ao implementar protocolos de organização e de controlo social. Mumford diagnosticava a “compulsividade tecnológica” – uma condição na qual “a sociedade se submete humildemente a cada nova demanda tecnológica e a utiliza sem questionar cada novo produto”.

O indivíduo, deste modo sitiado, tornado “obsoleto” e psicologicamente dependente de uma variedade de dispositivos torna-se num “acessório trivial da máquina”, reduzido a um passivo através da vigilância técnica e coleta de dados ilimitada pelos dispositivos tecnológicos, dispositivos esses que ignoram as necessidades e valores reais da vida humana, produzindo assim um mundo adequado apenas para as máquinas subsistirem.

Em alternativa ao inevitabilismo da tecnolatria, Mumford defende a hipótese de uma “revolta negativa” – resistência, recusa, retirada – por meio da qual os indivíduos podem reivindicar a sua autonomia, desejos e escolhas, ou pelo menos, exercer o direito autónomo de escolher recusar.

A obra Shade Shadows (2021) propõe-se a pensar a questão dessa relação de recusa e afastamento como estratégia possível, fazendo prevalecer o erro (o causado e não o ocasional), a imperfeição, o incontrolável e o orgânico para criar imagens básicas e simples, nunca negando a tecnolatria mas sim agindo, alterando e “colaborando” no seu próprio interior como fórmula de intervir e questionar a sua regência.

In The Myth of the Machine, Lewis Mumford has shown how centralized power systems handled technical means to the bureaucratic regimentation and military of the human populations, to implement organizational and social control protocols. Mumford diagnosed the “technological compulsivity” – a condition in which “the society humbly submits itself to a new technological demand and uses it without questioning each new product”.

The individual, in this way, becomes “obsolete” and psychologically dependent of a new variety of gadgets, becoming a “trivial accessory to the machine”, reduced to a passive through technical vigilance and unlimited data collection by technological gadgets – gadgets that are oblivious to the necessities and real values of human life, producing an adequate world where only machines subsist.

In alternative to the inevitability of technolatry, Mumford defends the hypothesis of a “negative revolution” – resistance, refuse, retire – through which individuals could vindicate their autonomy, desires and choices, or at least, hold their autonomous right of refusing.

The work Shade Shadows (2021) proposes to think about this relationship between refusal and withdrawal as a possible strategy, allowing error to prevail (caused error, not occasional), imperfection, the uncontrollable and the organic, to create basic and simple images – never denying technolatry but acting, changing and “collaborating” within its own interior as a formula to intervene and question its governance.


Visual Documentation


Detalhes da Obra Artwork Details

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ColeçãoCultivamos Cultura
CollectionCultivamos Cultura
Publicado em2021 Yearbook
Published in2021 Yearbook
Período de residênciaMaio de 2021
Residency periodMay 2021

Histórico de Exposições Exhibition History


Alter(ação), Fundação Eugénio de Almeida – Centro de Arte e Cultura, Évora, 15 de maio a 19 de dezembro de 2021 Alter(ação), Fundação Eugénio de Almeida – Centro de Arte e Cultura, Évora, May 15th to December 19th 2021

Alter(action) 2.0, MEIAC – Museu Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz, 26 de maio a 16 de outubro de 2022 Alter(action) 2.0, MEIAC – Museu Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz, May 26th to October 16th 2022

BLEND, Instituto de Medicina Molecular, Lisboa, 9 de novembro de 2022 a 16 de janeiro de 2023 BLEND, Instituto de Medicina Molecular, Lisbon, November 9th 2022 to January 16th 2023

Entre Vagos, Galeria da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Lisboa, 8 a 27 de fevereiro de 2024 Entre Vagos, Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa Gallery, Lisbon, February 8th to 27th 2024

Sobre o Artista About the Artist

António Caramelo

António
Caramelo

Based in Oeiras, Portugal

António Caramelo vive e trabalha em Oeiras. Enquanto artista visual tem realizado, desde 1999, diversas exposições individuais e coletivas tanto em Portugal como no estrangeiro, tais como THEM OR US! Um Projeto de Ficção Científica, Social e Política, Galeria Municipal do Porto (2017); Touch me: It’s about time!, Galerija Klovićevi dvori, Zagreb (2014). Desenvolve projetos ligados à sound art, com diversos concertos e apresentações. Tem colaborado em diversos projetos audiovisuais para teatro e dança contemporânea. Licenciou-se em Escultura na FBAUL (1998), fez mestrado em Media Art, MECAD – Universidade de Ramon Llull, Barcelona (2007) e é doutorando na Universidade de Belas Artes de Lisboa. Foi docente na Universidade de Évora entre 2001 e 2015.

António Caramelo lives and works in Oeiras. As a visual artist he has participated in several exhibitions both individually and collectively, in Portugal and abroad, such as THEM OR US! A Science Fiction Project, Social & Politics, Oporto Municipal Gallery (2017); Touch Me: It’s about time!, Galerija Klovićevi dvori, Zagreb (2014). He has been collaborating with different audiovisual projects for theatre and contemporary dance. He graduated in Sculpture at FBAUL (1998), did a master’s in Media Art, MECAD – University of Ramon Llull, Barcelona (2007) and has a doctorate at FBAUL. He was a teacher at Évora University between 2001 and 2015.

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