PT// Outra vez, a bordar a bananeira
Sally Santiago junta-se a nós para desenvolver um projeto que parte de memórias de infância e reinventa novas formas de revisitá-las através da luz e da sombra.
“em baixo de uma grande mangueira
onde o sol passava entre as folhas
sentavam as meninas sobre a terra
com espinhos de limoeiro e folhas de bananeira em sua mãos
imaginavam o bordar da infância
com desenhos que ultrapassavam a seiva
perfuravam as folhas, que se deixavam ficar através do tempo
o sol vendo aquilo, também não quis deixar de bordar
entre os espaços ali já desenhados, um a um
lançava seus feiches de luz encantados
que ultrapassavam as marcas e recriavam sombras sobre a terra
daquilo que havia antes sido imaginado”
“Outra vez, a bordar a bananeira” é como a recriação encapsulada de uma memória. Através de uma repetição da prática revivida e da substituição de materiais, temos a luz solar a dar espaço ao calor da máquina de soldar, a passagem da luz natural para a artificial, assim como a estrutura que guarda tudo junto e garante que essa criação reimaginada possa voltar a ser vista, outra vez. Esse novo bordar, agora em folhas de algodão, reverbera um novo corpo e um novo tempo, que resgata um espaço já habitado, com muito carinho, mas que agora ganha um novo visual. Como um resgate que se aproveita da distância para então voltar a falar.
EN// Once again, embroidering the banana leaf
Sally Santiago joins us to develop a project that takes childhood memories and reinvents new ways of revisiting them through light and shadow.
“Once again, embroidering the banana leaf” [Outra vez, a bordar a bananeira] is an encapsulated recreation of a memory. Through a repetition of the revived practice and the substitution of materials, we have sunlight giving way to the heat of the welding machine, the transition from natural to artificial light, as well as the structure that holds everything together and ensures that that reimagined creation can be seen again. This new embroidery, now on cotton sheets, reverberates a new body and a new time, which rescues a space that was once inhabited with great affection, but which now has a new look. Like a rescue that takes advantage of distance to speak again.


BIO
Sally Santiago é uma artista e pesquisadora brasileira que vive em Porto/Portugal, onde desenvolve sua investigação de Doutoramento em Artes Plásticas. Utilizando o vídeo, a instalação e a fotografia em busca de elevar movimentos da existência à uma superfície consciente, apresenta reflexões profundas sobre a natureza da vida e da própria arte. Ao dialogar sobre o corpo e o espaço – seu relacionar e habitar – suas experimentações caminham entre a arte e a filosofia, um estrelaçar que aponta para reflexos imateriais entre a existência humana e sua conexão com o mundo ao redor. Faz parte do programa de doutoramento em Artes Plásticas da FBAUP, possui mestrado em criação artística contemporânea (UA/PT) e bacharel em comunicação social (UAM/ BR).
Desde 2021 faz parte da equipa das instituições culturais Cultivamos Cultura e Ectopia Laboratório de Arte Experimental. Tendo antes disso, em 2020, colaborado com o Centre of Contemporary Art em Christchurch (NZ).
www.sallysan.com
Sally Santiago is a Brazilian artist and researcher living in Porto/Portugal, where she is developing her PhD research in Fine Arts. Using video, installation, and photography to elevate the movements of existence to a conscious surface, the artist presents profound reflections on the nature of life and art itself. By engaging in dialogues about the body and space – their relationship and inhabitation – their experiments traverse the realms of art and philosophy, intertwining to reveal immaterial reflections between human existence and its connection with the world around. She is part of the doctoral programme in Fine Arts at FBAUP, has a master’s degree in contemporary artistic creation (UA/PT) and a bachelor’s degree in communication (UAM/ BR).
Since 2021 she is part of the team of the cultural institutions Cultivamos Cultura and Ectopia Laboratório de Arte Experimental. Before that, in 2020, she collaborated with the Centre of Contemporary Art in Christchurch (NZ).
www.sallysan.com
