Residency by Beatrice Zaidenberg | July 11th to 22nd

PT// A Beatrice Zaidenberg foi uma das participantes da Summer School deste ano, que prolongou a sua estadia e desenvolveu o projeto “Black Pearl” [Pérola Negra] na Cultivamos Cultura – clica aqui para ler o testemunho dela.

A pureza não existe.

As belezas serenas e iridescentes raramente resultam de ambientes estéreis. O que também se aplica às pérolas carnudas e cintilantes. A sua existência baseia-se num processo de diferenciação entre elas e os outros.

Quando um intruso perfura o manto permeável de uma ostra, subitamente o corpo da ostra torna-se numa zona de conflito. Para conhecerem o estranho, provocam-no, questionam-no, sentem-no de ângulos diferentes, e eventualmente, a ostra aceita-o na sua casa, cobrindo-o sob camadas de nacre – a madrepérola reveste-o, mantendo-o seguro. O intruso torna-se parte deste corpo. Indistinguível de si próprio. Tudo o que cruza o caminho da ostra é identificado: É um amigo ou um inimigo? Será digerido ou tornar-se-á parte do seu corpo? A pérola é o resultado da separação entre o “eu” e o outro, que acontece durante a inclusão daquilo que antes era abjeto no próprio metabolismo. A inclinação e a aceitação da sua alteridade conduzem a um corpo queer que não pensa nem age em sistemas binários. Tendo tanto o sémen como os ovulos nos seus órgãos reprodutivos, estes corpos mudam de macho para fêmea constantemente ao longo da sua vida (em última análise, precisamos também de pensar na pérola como um produto de corpos queer).

Após a sua morte, a sua queerness permanece no universo. Ao serem comidas as ostras libertam dopamina, que aumenta a líbido e abre a mente. Dito isto, vamos abrir-nos ao mundo e tentar sentir a coexistência de ostras e pérolas! Quando as noções de queerness são pensadas através da perspetiva dos não-humanos, tornam-se menos familiares e cada vez menos estanques em categorias normativas centradas no ser humano. Mais nutridas por forças naturais e biológicas. Pensar a queerness através da perspetiva dos não-humanos, em vez de pensar nos não-humanos através da perspetiva queerness. Com este projeto, proponho uma abordagem queer e especulativa do nascimento da pérola, referindo-se à lenda polinésia da Pérola Negra.

ENG// Beatrice Zaidenberg was one of the participants of this year’ Summer School. She prolonged her stay and developed the project “Black Pearl” at Cultivamos Cultura – click here to read her testemony.

Purity is not an option. Serene and iridescence beauties are rarely the result of sterile environments. This is also true for fleshy flashy pearls. They come into existence by differentiating between self and others.

When an intruder slips between the permeable mantle of an oyster, the oyster’s body suddenly becomes the territory of trouble, targeting all of their thoughts. To get to know the stranger, they will tease it, question it, sense it from different angles, and eventually, the oyster will invite it into their home, covering it under layers of nacre–the-mother-of-pearl coats it, keeping it secure. The intruder becomes part of the body. Indistinguishable from oneself. Anything that crosses the oyster’s path will be identified: Who is a friend or a foe? Who will be digested and who become part of their body? The pearl is the result of separating the self from the other while including the previous abject into ones one metabolism. The inclination and acceptance of its otherness lead to a queering body that does not think and act in binary systems. Having both semen and eggs in their reproductive organs, they change from male to female back and forth over their lifetime (Ultimately, we also need to think of the pearl as a product of queering bodies).

After their death, their queerness remains in the universe. When oysters are eaten, the contained dopamine leads to horniness and open-mindfulness. Said this, let’s open up to the world and try to feel into the coexistence of oyster and pearl! When notions of querness are read through the lens of the nonhuman, they become less familiar and resist being frozen into yet another normative, human-centric category. More captivated by natural and biological forces. Reading querness through the lens of nonhuman than the other way around. With this project, I am proposing a more queer and speculative approach to the birth of the pearl referring to the Polynesian legend of the Black Pearl.

BIO

Beatrice Zaidenberg é uma historiadora de arte que vive na Alemanha, com raízes ucranianas. Durante o seu mestrado na Universidade Humboldt em Berlim, trabalhou no Studio Tomás Saraceno, no Laboratório de Investigação Aracnídea, onde mergulhou no mundo da aracnologia, o que lhe despertou interesse pela comunicação interespécies, tecnologia e formas utópicas de coabitação. Beatrice aprofundou o conhecimento nestas áreas na Goldsmiths University, em Londres. Investiga estes tópicos em torno de agentes mais do que humanos com outros três artistas e investigadores como parte do colectivo LIMB. Atualmente, é curadora estagiária no ZKM |Center for Art and Media Karlsruhe onde foi co-curadora da exposição BioMedia. The Age of Media with Life-like Behavior (2021-2022).

BeatriceZaidenberg is a trained art historian with Ukrainian heritage based in Germany. During her Master’s at the Humboldt University in Berlin, she worked at the StudioTomás Saraceno in the Arachnid Research Lab. There, she dove into the world of arachnology, which sparked her interest in interspecies communication, technology, and utopian forms of cohabitation. Beatrice was able to solidify her knowledge in these domains at Goldsmiths University in London. She investigates these topics around more-than-human agents further with three other artists and researchers as part ofthe artist collective LIMB. Currently, she is a curatorial trainee atZKM | Centerfor Art and Media Karlsruhe where she co-curated the exhibition BioMedia.The Age of Media with Life-like Behavior (2021-2022).

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