Residency by Maria Manuela Lopes | August 14th to 21st

Nesta residência Maria Manuela Lopes desenvolveu o seu projeto “Adaptive Membrane”.

Esta instalação transmite e destaca os traços abstratos, mas reconhecíveis, que permanecem depois de uma pessoa/coisa desaparecer, ou seja, a memória. A instalação apresenta ao espectador uma “casa esterilizada” plena de luz ultravioleta. O momento de deceção acontece quando se percebe que o interior asséptico contrasta com o exterior palpável, respirável e permeável. A obra explora a transparência visual da película aderente e do líquido que permeia a membrana, permitindo uma invasão visual no interior da moldura que evoca uma casa (o nosso porto seguro, o nosso corpo), mas o acesso físico ao interior é negado. O contato direto com o espaço interno não é permitido e protegido por uma membrana fina, quase invisível, que sugere visualmente a superfície do mar e evoca a força invisível de nosso sistema imunológico. A situação de presença / ausência que explora expande o afeto visual numa imagem não fixa, que muda de acordo com o movimento dos espectadores no espaço (a perceção da luz altera devido à viscosidade da membrana) e ao desejo / habilidade do toque do espectador que permeia a membrana e deixa rastros pessoais na superfície.

Consciente de que as memórias são moldadas pelo contexto sociopolítico em que são produzidas e também pela cultura tecnológica e material acessível para produzi-las, replicá-las, arquivá-las e recuperá-las, questiono como a prática artística e as tecnologias têm interesse nos procedimentos complexos da lembrança e esquecimento e o desejo de expandir as aparentes limitações humanas (corporais), imprescindível no momento presente em que o toque e a proximidade são tabu e uma imunidade adaptativa é o que almejamos

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In this residency Maria Manuela Lopes developed her project “Adaptive Membrane”.

This installation conveys and highlights the abstract yet recognizable traces that remain after a person or thing has gone, i.e. memory. The installation presents the viewer a “sterilized house” filled with UV light. The deceiving moment happens when it is perceived that the aseptic inside contrasts with the touchable and breathable outside. It plays with the visual transparency of the cling film and the liquid that permeates the membrane, allowing a visual trespassing inside the frame that resembles a house, but the physical access to the inside is denied. Direct contact with the inside space is not permitted and secured by a thin, nearly invisible membrane, that visually reminds the sea surface and evokes the invisible strength of our immune system. The presence/absence situation it explores expands the visually affect in a non-fixed image changing according to movement of spectators in space (the light perception changes due to the membrane viscosity) and to the desire/ability of the spectator’s touch that permeates the membrane and leaves personal traces on the surface.

Conscious that memories are both shaped by the socio political context in which they are produced and also by the technological and material culture accessible to produce, replicate, archive and retrieve them, I question how artistic practice and technologies have a stake in the complex procedures of remembering and forgetting and the desire to expand the apparent human (body) limitations, essential at the present moment in which touch and proximity are taboo and an adaptive immunity is what we long for. 

BIO | Maria Manuela Lopes é uma artista plástica e investigadora que tem vindo a desenvolver uma prática transdisciplinar que investiga relações entre a memória e a identidade informadas pelas ciências biológicas e pela investigação médica, que se expressa através de instalações multimédia, desenho e performances, que ocasionalmente incluem materiais biológicos. Estudou escultura na FBAUP – Porto e fez um MA no Goldsmiths College em Londres. Tem um Doutoramento em Belas Artes e Novos Média da Universidade de Brighton e UCA-Farnham no Reino Unido.  Desenvolveu um projeto de Pós Doutoramento na Universidade de Aveiro e Universidade do Porto e Instituto de Biologia Molecular e Celular- I3S. Ela foi curadora de várias exposições internacionais. É autora de artigos e capítulos de livros em várias publicações nacionais e internacionais. O seu trabalho tem sido mostrado a nível nacional e internacional desde a década de 90. É também Diretora Adjunta de dois programas de residência artística portugueses: Ectopia  e Cultivamos Cultura.

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Maria Manuela Lopes is a visual artist whose practice is  transdisciplinary, investigating relations of memory and identity informed by the biological sciences and medical research; through multimedia installations, drawings and performances – occasionally including biological materials. Maria Manuela Lopes studied sculpture at FBAUP and did an MA at Goldsmiths College in London. She has a Doctorate in Fine Arts and New Media at the University of Brighton and UCA-Farnham in the UK. She has developed a Postdoctoral Art Research Project at the University of Aveiro and Porto (ID + Institute of Research in Design, Media and Culture) and i3S Institute of Research and Innovation in Health. She is currently a researcher at i3S Instituto de Investigação e Inovação em Saúde as co-responsible for the Cultural Outreach Art/Science interface of the Institution. She has curated several international exhibitions. She is the author of articles and book chapters in several national and international publications (as well as invited as a speaker). Her work has been shown nationally and internationally since the 90’s. Maria Manuela Lopes is cofounder and Deputy Director of Portuguese artistic residency programs: Ectopia – Laboratory of Artistic Experimentation and Cultivamos Cultura.

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