BioFriction Residency by Christina Gruber | June 17th to July 11th

Houston, can you hear me? Species in alliance

PT//

Este projeto procura desenvolver uma abordagem não humana, que parte da tecnologia para compreender melhor o nosso meio envolvente e a ligação que temos com as espécies que nos rodeiam. Houston can you hear me?decorre da recente investigação de Christina Gruber, no campo da bioacústica, que questiona como é que as gravações sonoras em ambientes fluviais podem contribuir para a transformação das práticas comuns de recolha de amostras em trabalho de campo, que se costumam basear numa extração constante de espécimes do seu meio.

Enquanto ecologista de água doce, ela recolheu amostras de diferentes rios espalhados pelo mundo, durante anos, através de um método que consumia muita energia, de todas as espécies envolvidas, e que produzia muito ruído, devido aos motores alimentados por combustíveis fosseis que podiam ser geradores elétricos portáteis, que ela levava às costas, ou fixos num barco.

Numa residência em New Orleans, enquanto investigava as relações entre o rio e a comunidade, Christina foi confrontada pela realidade brutal das perdas de solo, resultantes das alterações climáticas, que estão intimamente ligadas à indústria de extração petrolífera. Ao perceber que ela própria contribuía para este cenário, começou a procurar formas de documentação, e mais tarde de desenvolvimento de registos e recolha desta massa de terra, antes desta desaparecer para sempre. Christina fez o seu primeiro hidrofone e deslocou-se com diferentes pessoas, nos seus barcos, pelos deltas do rio para gravar as manifestações de uma terra que brevemente deixaria de existir.

Desde aí, Gruber fez uma série de gravações e montou unidades de gravação contínua, distribuídas ao longo de diferentes rios – estas intervenções estimularam a curiosidade das pessoas, e fizeram-nas questionar-se sobre a origem dos sons.

Para ela, a importância deste trabalho não se relaciona com a produção de grandes quantidades de dados adicionais, e com a sua recolha, mas sim com a aproximação a um outro mundo, que normalmente nos é invisível devido ao turbilhão de informação e à necessidade de nos focarmos noutro sentido, a audição. É um teste ativo que demonstra que não somos dependentes de dados e devemos regressar à experiência, uma vez que estamos a atingir o limite de dados e previsões de modelos e sistemas utilizados para prever o futuro.

Ouvir como um peixe significa ouvir com o corpo inteiro, utilizando este sentido para navegar no espaço e sentir os nossos arredores. Houston can you hear me? torna visível o quão importante e crucial é o tema da poluição sonora e como é que temos de desenvolver uma ecologia sonora para que possamos ressuar neste planeta, juntos.

ENG//

The project deals with the development of a non-human approach towards the use of technology to better understand our environments and entanglements with companion species. Houston can you hear me? develops Christina Gruber’s current research in the field of bioacoustics and how sound recordings in riverine environments can help to transform common field sampling practices that are based on constant extraction of specimen and their extraction of their livelihoods.

As freshwater ecologist, she was sampling different rivers around the world for years and the method takes a lot of energy, from all species involved, produces noise, due to fossil fueled engines in form of a portable electric generator on her back or fixed to a boat.

During a residency in New Orleans, investigating the relationships between river and people Christina was confronted with the brutal realities of land loss, due to climate change caused to a high degree by the oil-extracting industry. It numbed her how much she contributes to this loss and she wanted to find ways how to document, but further on to develop a way how to record and collect these masses of land before they are gone forever. Christina made her first hydrophone and went with different people on their boats along the delta to record these manifestations of a land soon to be not there anymore.

Since then, Gruber did a serious of recordings and setup steady recording units along rivers – these interventions made people curious and ask questions about the origin of the sounds.

Important for her with this project is also the fact that there is not the additional production of huge amounts of data that have to be harvested but the approximation to another world, usually invisible due to turbidity and the use of another sense, the hearing. It is the active test to show that we do not depend on data, as we are reaching the limits of data and the predictability to forecast the future using models and systems, and get back to experience.

To hear like a fish means to hear with your entire body, using it to navigate in space and feel your surroundings. Houston can you hear me? makes visible how important and crucial the topic of sound pollution is and how a sonic ecology has to be developed so we can resonate together on this planet.

BIO

PT// Christina é uma artista e ecologista de água doce, que vive em Vienna. A artista trabalha na intersecção entre arte e ciência e a sua obra aborda os fenómenos sociais que moldam o nosso mundo. Gruber investiga os efeitos da atividade humana na paisagem e como é que estes desenham a superfície da Terra, com especial atenção à agua. Nos últimos anos a àgua tem um interesse especial para ela. É este o elemento que todas as coisas na Terra, incluindo os humanos, têm em comum. A água é o conector entre histórias de diferentes sítios e níveis, correndo por todo o lado, desde as nuvens aos centros de dados.

ENG// Christina is an artist and freshwater ecologist based in Vienna. She works at the intersection of art and science; her work deals with societal phenomena that shape our world. Gruber investigates the effects human activities have and had on the landscape and how they’ve shaped the Earth’s surface, specifically focusing on water. In the last years, water is of special interest to her. As it is the element that all things on Earth, including humans, have in common. Water is the connector between stories of different places and layers, running through everything, from clouds to data centers.

 
 

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